sábado, 12 de março de 2011

COMUNICADO DA ADPA SOBRE O PROJECTO PARA A REGENERAÇÃO URBANA DO CENTRO HISTÓRICO DE AROUCA
Reunida a Direcção da Associação da Defesa do Património Arouquense e analisados que foram os “itens” constantes das intervenções a serem levadas a efeito pela Câmara Municipal de Arouca, na zona histórica de Arouca, considera que não existiu uma participação tanto quanto desejável, em que as Associações e o público em geral, fossem devidamente auscultados com vista a dar a conhecer, e mais do que isso, recolher ideias e opiniões que contribuíssem para uma intervenção consentida e que a serem concretizadas afectarão toda a história de uma terra e de um povo. Democracia é abertura e não um círculo de quadratura limitado a eleitos.
Da análise do referido projecto concluímos a existência de aspectos positivos e negativos que passamos a salientar:
Aspectos positivos:
- Requalificação do Terreiro de Santa Mafalda, com proibição de estacionamento de viaturas e reimplantação do antigo portão de acesso ao mesmo.
- Criação da extensão da Biblioteca Municipal e de um espaço museológico.
- Arranjo do actual Parque Municipal, bem como do Campo de Jogos.
- Consolidação do Jardim Municipal.

Aspectos negativos:
- Arranque das árvores na parte superior da avenida 25 de Abril para as substituir por outras.
- Reposição do trânsito de pesados de passageiros na avenida 25 de Abril e criação de uma faixa para passagem de autocarros, em frente ao Parque Municipal.
- O pseudo anfiteatro a construir na Praça Brandão de Vasconcelos é de reduzida dimensão para grandes espectáculos. Além disso a intervenção e a alteração profunda da fisionomia da Praça é um rude e injustificável golpe à história e ao património, dado que esta marca uma época de transição e até afirmação da comunidade civil arouquense. Outros povos e outros políticos teriam orgulho e jamais aceitariam a modificação deste espaço que só serve os interesses de quem elaborou o projecto e nada mais.
- Mudança do chafariz para uma parte lateral. É uma outra asneira sem justificação possível.
- Intervenção injustificável na alameda D. Domingos de Pinho Brandão, com uma rua no centro, e sentido único, pois os custos inerentes às obras não são correspondidos com benefícios para a população. A haver aqui intervenção justificar-se-ia na chamada zona H7 – espaço que se encontra em estado de degradação e abandono.
- Retirada do Monumento aos centenários implantado no Terreiro de Santa Mafalda para o colocar na Alameda
- Reformulação do trânsito automóvel na Alameda, já que obriga a que os automóveis tenham que ir à Rua Coelho da Rocha, com prejuízos desnecessários para os comerciantes.
- O esquecimento e a falta de medidas concretas quer para a antiga rua dos Currais quer para a de Santo António, que embora se encontrem entre as mais emblemáticas da vila, são as que se mais esquecidas e deitadas ao mais completo desprezo e abandono nos seus múltiplos aspectos como se não existissem.
Finalmente, e encontrando-se este país em crise, não nos parece ser de bom tom destruir história para reconstruir em moldes modernos. Preservemos o nosso passado e construamos sim, igualmente, espaços de futuro. A identidade dum povo não se afere por obras de fachada, mas por obras que saibam fazer uma transição entre o passado e o futuro. A serem concretizadas as programadas obras na Praça os nossos vindouros lamentarão tal como nós, as destruições que ali já foram feitas, no final do século XIX, destruindo uma igreja manuelina que aí existia.
Os políticos, infelizmente, por razões que não nos apraz dissecar, não aprendem nem com os erros do passado, o que não deixa de ser grave e, mais do que isso, lamentável.
Ouçamos o povo, democracia é isso!
A Direcção da ADPA

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